No filme Brexit, recentemente
exibido na TV, há uma cena em que o ideólogo da campanha, a favor do Brexit, se
ajoelha numa rua de um bairro social para perceber que o barulho que ele ouve
vem das profundezas da Terra. A Esquerda e o Centro, vivem atualmente numa
bolha que os impede de ouvir esse ruído que vem do fundo da realidade. Foi essa
bolha em que vivem, que os fez transformar as celebrações de Abril e de Maio
deste ano, na bandeja com que carregam os valores da Liberdade e da Democracia para
os entregar nas mãos dos seus inimigos.
sábado, 2 de maio de 2020
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
SERÁ O LIVRE UM PARTIDO NEOCOLONIALISTA, RACISTA E PIDESCO?
Que
Portugal, a exemplo de outros países europeus, equacione a devolução de
património dos territórios outrora colonizados parece me bem. Que essa equação
seja desenhada com os governos desses países, ponderando os prós e contras da
devolução de um património que sendo deste ou daquele país africano é, no
entanto, património da nossa história comum, que merece ser estudado, analisado
e investigado, ponderando-se qual o melhor local para o depósito do mesmo para
que se torne acessível ao maior número de interessados, parece-me uma atitude
inteligente. Gostaria de ter ouvido a deputada do Livre propor formas de
cooperação com os governos dos países africanos, nomeadamente para o
desenvolvimento de estudos africanos nas universidades, cá e lá, mas tal não
aconteceu. Infelizmente o nível da generalidade dos nossos deputados é mau e
Joacine, deputada do Livre e cidadã Portuguesa, não foge à regra. Em sede de
discussão orçamental faz propostas sem cabimento nessa discussão,
substituindo-se aos governos dos países africanos num paternalismo neocolonial
de quem se julga na necessidade de defender os interesses dos povos
representados por esses governos como se não lhes reconhecesse capacidade para
tal tarefa, como outrora se justificava o colonialismo.
Não
contente com o despropósito neocolonial, a proposta aponta para uma “Comissão
multidisciplinar composta por museólogos, curadores, investigadores científicos
(história, história da arte, estudos pós-coloniais e decoloniais) e ativistas
anti-racistas…”(sic). Ora a presença de ativistas de qualquer espécie numa
comissão que se quer científica só pode significar o pendor inquisitorial e
“disciplinador” sobre o pensamento desses cientistas, cabendo aos ativistas verificar
o que se pode e não pode dizer, como se de uma pide se tratasse. Nenhum cientista
que se preze poderá fazer parte de uma tal comissão.
Na mesma
proposta o Livre afirma que aquela comissão deve ir “no sentido de estimular
uma visão crítica sobre o passado esclavagista colonial”. Não tendo eu dúvidas
sobre a responsabilidade esclavagista colonial do meu país, não vejo que uma
comissão que devia ser bilateral, entre a potência colonizadora e os
ex-colonizados, deva deixar fugir a oportunidade para estimular também uma
visão crítica sobre o passado esclavagista dos potentados africanos de então, pelo
que só posso entender a proposta do Livre como profundamente racista.
Goste-se
ou não, foram as potências colonizadoras quem pôs fim à escravatura pois esta
desonrava os valores que o Ocidente colonizador defende e defendia e que deixou
como património aos países colonizados. Uma visão crítica sobre a
responsabilidade dos potentados africanos não só é precisa como é necessária, promovendo a igualdade.
Apesar de
tudo, e ao contrário do que se disse, há património que eu, como português, não
aceito devolver: a riqueza étnica e multicultural que o colonialismo nos
trouxe. Joacine é portuguesa e não se devolve. Mas como deputada de uma nação
que honra o seu passado, responsabilizando-se pelo que fez de mal e
orgulhando-se pelo que fez de bem, tem de perder os tiques neocolonialistas,
racistas e pidescos.
sábado, 16 de novembro de 2019
A INJUSTIÇA DAS HOMENAGENS
A 20 de
maio de 1977 o Coliseu dos Recreios de Lisboa vinha abaixo por causa da “cena
da loucura” da ópera Lucia di Lamermoor de Donizetti, uma ária de
exigência superior cantada e interpretada por Elizette Bayan. Como refere a
crónica do Diário de Notícias da altura, foi de tal forma que o próprio Alfredo
Krauss, o grande e famoso tenor espanhol que a acompanhava, no próprio palco e
no meio da cena, resolveu aplaudir também. Cinco meses depois tive a graça de a
ouvir e ver em Coimbra, na mesma ária e ópera, agora já sem Krauss, que o
dinheiro em Portugal nunca chega à Província, com o teatro Gil Vicente a vir
abaixo com os aplausos e com espectadores de lágrimas nos olhos. Era uma
cantora portuguesa. Uns meses antes, a canção “Portugal no Coração” com música
de Fernando Tordo, cantada pelo grupo “Os Amigos” ganhava o Festival da Canção.
No
programa de sala daquela noite memorável no Gil Vicente de Coimbra, que guardo
religiosamente, nada diz sobre a biografia daquela grande cantora. Voltei a
ouvi-la mais vezes. Na rápida pesquisa na net soube que foi condecorada por
Sampaio e pronto. Desconheço se ainda está entre nós, porque no coração de quem
a ouviu está com certeza.
O teatro
Nacional de São Carlos, a casa que em Portugal representa a excelência do canto,
onde ela foi a cantora principal, recebe hoje Fernando Tordo, um cantor que,
zangado com Portugal porque, na opinião dele, o votava ao esquecimento, rumou
ao Brasil na altura Meca para alguns artistas vitimados e injustiçados desta
Nação. Agora que aquela Meca foi invadida por hordas “almorávidas” acolhem-se
de novo ao coração da Pátria.
Portugal
tem hoje muitos e bons cantores de música popular que aprenderam com Fernando
Tordo e, superando o mestre, ganharam o Festival da Eurovisão. Na ópera, jovens
cantores fazem já percursos notáveis e a seguir, mas nenhum, que eu saiba, se
atreve à Lucia. Fico à espera que Elizette Bayan, se ainda cá estiver,
seja um dia convidada a subir ao palco do São Carlos para ouvirmos a orquestra
tocar para ela, como vai hoje fazer para Fernando Tordo. E, já agora, a Elsa
Saque, a Zuleika Saque, a Palmira Troufa, o José Fardilha, o Jorge Vaz de
Carvalho, e tantos, tantos outros, e já não vão a tempo do grande Álvaro Malta.
domingo, 27 de outubro de 2019
NÁPOLES
Em jeito
de crónica de viagem, ensaiei com Istambul a escrita de impressões de viagem,
porque tudo já foi dito. Com Nápoles o assunto torna-se mais difícil pois o que
tinha para dizer já Goethe o escreveu. Como ele, apaixonei-me pela cidade e
pela sua localização. Stendhal afirmou que só duas cidades na Europa mereciam
uma visita: Paris e Nápoles. Embora meridional não chego a esses arrebatamentos
e fico-me pela sobriedade germânica de Goethe: “limito-me a escancarar muito os
olhos.”[1]
Se falo
de Nápoles, tenho de juntar todo o litoral do golfo entre as ilhas de Ischia e
Capri, com Sorrento a falar da paixão do Vesúvio pelo golfo, ou não fosse
Vulcano casado com Vénus nascida da espuma das ondas do mar. Sorrento, Capri e
a costa formada na vertente contrária à do Golfo, a que chamam amalfitana, é
residência de deuses, mas o litoral plano junto ao Vesúvio e a cidade de
Nápoles nas encostas a norte de Sorrento, distando desta 26 quilómetros em
linha reta e 50 por estrada, é bem humana na sua velhice e decrepitude a que o
mau gosto da modernidade dos prédios, das auto estradas e dos painéis
publicitários, emprestam ares de adolescente mas não escondem que estamos à
porta do paraíso, onde será preciso voltar para admirar com outras calmas, os
jardins de Ravello, inspiração de Wagner, e as penedias de Capri onde Tibério,
em cujo reinado Cristo foi crucificado, se refugiava com medo que o
assassinassem fazendo-se rodear de jovens e crianças, quais faunos e ninfas, em
orgias inimagináveis mesmo nos dias de hoje, lembrando que nem a paisagem, o ar
límpido e sereno e o azul do mar acalmam os ardores lúbricos de velhos
devassos.
“Bem
podemos dizer, contar, pintar o que quisermos”[2], o
que se vê, como escrevia Goethe, é mais que tudo isso. “O napolitano julga
estar na posse do paraíso”[3] e tem
toda a razão para o crer.
E chegam os que me leem a Nápoles e dirão que
minto. Então e o lixo espalhado pelas ruas? As paredes grafitadas? Os prédios
apalaçados a caírem decrépitos? O trânsito caótico e a falta de respeito pelo
peão? A horda de turistas por todo o lado? A população ruidosa e humilde que nos
faz imaginar receios de rapina? E eu respondo que sempre imaginei as portas do
paraíso a abarrotar de gente alegre, animada, ruidosa, ricos e pobres à espera
de entrar. E se o Vesúvio fizer ameaças corre-se em socorro dos milagres do
sangue de San Gennaro ali ao pé.
É pelo
meio das ruas escuras, apertadas e sujas que entramos na capela de San
Severo para o deleite estético de ver o mármore transformado em véu
deixando que Cristo mostre as suas chagas e todo o sofrimento que transparece
da sua carne e das suas veias que juramos vermos ainda palpitar, e que nenhum
outro Cristo nu consegue mostrar mais do que aquele, tapado pelo mármore.
Bruxaria, apetece repetir. É nas suas ruas decrépitas que vemos um palácio
velho e sujo, onde na sua capela encontramos dois anjos lançarem as suas asas e
braços para fora da tela segurando a Senhora da Misericórdia. Caravaggio,
foragido e assassino aqui se acoitou para pintar uma tela que hoje jamais os
irmãos da Santa Casa se atreveriam a pagar a encomenda e a exibi-la, já que somos
mais puritanos que nos tempos em que os homens piedosos pagavam a bêbados
briguentos, libidinosos e assassinos para pintarem a Madonna.
No
intricado das suas ruas escuras vemos os velhos beijarem as bochechas dos
amigos, como as tias aos sobrinhos, mas também o gesto respeitoso do jovem que
passa as costas da mão pela barba de um homem para de seguida beijar essas
costas da mão, num sinal silencioso das intricadas redes sociais humanas que
não entendemos. No pobre bairro espanhol encontrámos a cozinha da mamma,
onde um napolitano cosmopolita nos recebe de braços abertos, como se fossemos
família.
Mas é
preciso subir ao miradouro de São Martinho, junto ao castelo de Sant’ Elmo para
perceber em baixo o enorme campo de penitentes olhando o paraíso que se estende
pelas costas do Golfo guardado pela forja de Vulcano. E perceber como uma rua
escura, comprida e estreita ali se marca mais visível que as avenidas, como
verdadeira artéria daquele corpo estranho que é a cidade de Nápoles: a Spaccanapoli.
O
trânsito é caótico, mas o buzinar passa rápido da impaciência para a saudação
alegre e prazerosa, ou não fosse esta a terra de polichinelo: “Fomos em duas
caleches porque não nos arriscávamos a conduzir nós próprios no meio da grande
confusão desta cidade”[4], já
era assim antes da invenção do automóvel e da scooter. Visitámos a Chiaia
com as suas montras, em noite de Lua Cheia como calhou em sorte a Goethe mas
que nos escapou, e a rua de Toledo continua cheia de gente às compras. O San
Carlo, o teatro mais antigo da Europa, estava para obras e escondeu-nos a
sua fachada neoclássica. Não entrámos pelo que nem os olhos se deslumbraram nem
a alma ficou arrebatada como aconteceu a Stendhal.
“Vedi
Napoli e poi muori”[5]. deixou-nos Goethe este ditado popular
napolitano, mas nós saímos com a vontade de que se realize como profecia o
sentimento do pai de Goethe que “nunca poderia ser infeliz porque se lembrava
sempre de Nápoles”[6].
[1]
Goethe, 2018. Viagem a Itália. Bertrand Editora, Lisboa, p. 249
[2]
Ibidem, p. 249
[3]
Ibidem, p. 247
[4]
Ibidem, p. 257
[5]
Ibidem, p. 253
[6]
Ibidem, p. 249
segunda-feira, 13 de maio de 2019
GRETA THUNBERG E O HOMEM QUE FOI AO INFERNO
Greta
Thunberg não percebe coisa nenhuma de ambiente ou de alterações climáticas.
Isto é, percebe o que todos percebemos por ouvir e ler nos media falar-se do
assunto. Então por que carga de água os parlamentos, incluindo o português,
acharam por bem convidar uma adolescente que teve a ideia pateta de que umas
greves às aulas fariam os governos serem mais proativos na defesa das políticas
públicas para combate às alterações climáticas? Por que querem os parlamentos
ouvir da boca de uma adolescente dizer que eles, deputados, são uns totós
presumidos que não conseguem, ou não querem, que as políticas já previstas nos
programas nacionais e internacionais de combate às alterações climáticas sejam
postas em prática (os programas e planos políticos já existem e são óptimos).
É que não
há nada que Greta Thunberg tenha para dizer que já todos não saibam: que nem os
governos, nem nós, nem os estudantes que fazem a greve, temos vontade de baixar
o nosso nível de crescimento, conforto e estilo de vida, para o combate às
alterações climáticas. Que um dia teremos de o fazer não tenho dúvidas, mas
nessa altura forçados pelas circunstâncias que a isso nos obrigarão, como o
homem que chegou ao Inferno. Até lá assobiaremos para o ar.
Tudo se
parece com aquela história bíblica em que um homem muito mau morre e vendo o
que lhe reserva o Inferno, apiedado dos seus familiares e amigos (não era tão
mau assim), pede a Deus que o deixe correr de novo à Terra para os avisar do
perigo em que incorrem, se não se arrependerem, ao que Deus lhe responde: “mas
eu já enviei tantos profetas a dizer o mesmo e eles não fizeram caso, porque
julgas que te ouviriam?”
O
protesto de Greta Thunberg é o grito de alerta. Para ser eficaz devia ela
própria recusar-se em participar na fantochada do discurso em parlamento,
porque os convites são para isso mesmo: tornar irrelevante o seu grito.
Ao
contrário da Bíblia, onde só os maus vão para o Inferno, nesta coisa do clima vão
os bons e os maus, incluindo a Greta, e é por isso que ela grita. Os políticos
fingem que a ouvem, para ver se ela se cala, como fizeram aos profetas. A
história já foi contada!
quarta-feira, 17 de abril de 2019
NOTRE DAME E AS CRIANCINHAS EM ÁFRICA
A ver se
a gente entende: doar milhões de euros para a reconstrução de Notre Dame, resolve o problema da
reconstrução de Notre Dame.
Doar
milhões de euros para acabar com a fome em África não resolve o problema da
fome em África. Só adia a resolução desse problema. A fome em África resolve-se
com políticas de paz e de gestão de recursos. Não é uma questão de dinheiro,
mas de boas ideias e de boa vontade: que não há.
Reconstruir
Notre Dame não é reconstruir uma
igreja. Igrejas há muitas e Deus não precisa de templos (nós precisamos). Eu,
que sou católico, talvez só desse dinheiro para a igreja da minha comunidade,
não para a “igreja” de Notre Dame se
só estivesse em causa a reconstrução de um lugar para o culto. Mas reconstruir Notre Dame é salvar o património da
humanidade, de crentes e não crentes. É salvar a história de 1000 anos da civilização
europeia, da nossa história comum, dos nossos valores: dos valores capazes de
salvar da fome as crianças de África. É salvar a história da arquitetura, da
engenharia e da arte. É salvar a nossa memória que gostamos de imaginar
eterna!
Morrer,
todos morremos. Uns mais cedo que outros, mas todos iremos. Na televisão uma
mulher chorosa dizia que o que mais lhe custava era pensar que já ali não
poderia entrar mais pois não tinha tempo de vida para ver as obras acabadas.
Por isso gostamos de pensar que a nossa memória é eterna. Por isso sentimos
vontade de reconstruir Notre Dame,
para que seja aparentemente eterna, porque nós não somos.
Misturar
fotos de Notre Dame a arder com
criancinhas a morrer de fome e comparar doações, é só presunção beata, para não
dizer pateta e estúpida. As pessoas que fazem isso seriam talvez as primeiras a
protestar se algumas medidas de fundo, necessárias, tivessem que ser tomadas
para salvar da fome as crianças de África, porque aí é que lhes iam ao bolso e aos privilégios.
sábado, 26 de janeiro de 2019
PORQUÊ "CHEGA"?
O que se
pode esperar de um partido com o triste nome de “chega”? Sinónimo de coisa
pequenina só pode sair da cabeça de um homem ou de uma mulher pequenino/a. Se
eu fizesse um partido chamar-lhe-ia, “MAIS”, “FARTURA”, sei lá, mas “chega”?
E o que
pretende este “chega”? Encontrar o melhor modo de fazer a coesão social e
cultural dentro da Nação? A melhor forma de se chegar a uma redistribuição
justa da riqueza gerada pelos trabalhadores do país? A fórmula de preservar o
ambiente dentro do quadro de um desenvolvimento sustentável, isto é, a forma
para encontrar o justo equilíbrio entre o desenvolvimento social e o
desenvolvimento económico num quadro ecológico de forma a suprir as nossas
necessidades sem comprometer as das gerações futuras? Não sabemos. O que
sabemos é que pretende baixar o número de deputados para 100, introduzir a
prisão perpétua e capar os pedófilos. Se estes são os problemas que os
fundadores do “chega” acham que o país tem é porque não conhecem o país.
100
deputados? Por que não zero? O que o “chega” pretende dizer é que os deputados
não estão lá a fazer nada, então tenha a coragem de propor zero. Eu acho que
estão. Tendo em conta que Portugal apesar de pequeno é um país de grandes
assimetrias regionais, culturais e sociais, 100 deputados não são suficientes
para refletir essas assimetrias e garantir a voz dos que em democracia se têm
de ouvir: as maiorias, mas também as minorias. A constituição prevê um mínimo
de 180 e um máximo de 230. Atualmente são 230. É capaz de ser muito. Por que
não propuseram 180? Porque 100 obriga à revisão constitucional e assim podem manter
a sua bandeira populista e demagógica à falta de ideias melhores e de coragem
de clamar pelo fim da representatividade parlamentar?
Prisão
perpétua. Se é para prevenir a criminalidade os factos desmentem-no. Os países
que têm prisão perpétua e pena de morte são os que têm maiores índices de
criminalidade. Se é para defender os cidadãos de psicopatas, a Constituição já
o prevê: prisão prorrogada sempre que necessário, diz a constituição. É mais
uma ideia de quem não tem ideias.
Castração
química para pedófilos. A pior coisa que podemos esperar de um partido político
é que se intrometa nas questões de ordem científica, à moda do que fizeram e fazem
certas religiões. A pedofilia é o abuso de crianças impúberes, por isso considerada
uma doença que requer tratamento. Se a castração for o tratamento que a ciência
achar adequado, promova-se então o debate, mas não pode ser bandeira para
partidos políticos.
O
fundador do “chega” diz que as minorias étnicas têm um problema de integração,
e tem razão. Mas não basta afirmá-lo, é preciso trabalhar com
essas minorias, fazê-las assumir que o problema existe e que a solução só pode
vir de ambos os lados e não de um só. André Ventura tem aqui razão. Mas ele foi eleito vereador num concelho onde há grandes e
graves problemas na integração de minorias étnicas. Foi-lhe dado pelo voto uma
excelente oportunidade para pôr em prática as ideias que não tem para a
solução do problema. Uma coroa de glória para quem se diz católico e cristão,
como ele, mas não. André Ventura resolveu desistir: demitiu-se e disse “chega”
sem sequer ter tentado.
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