segunda-feira, 6 de novembro de 2017

PORTUGAL, CATALUNHA, É TUDO COLÓNIAS, PÁ


O condado Portucalense era um condado que a Norte ora acabava no Lima, ora no Minho, e a Sul, ora no Douro, ora no Mondego. Conforme as birras dos mouros ou dos galegos. E não, Guimarães não tinha nada a ver com a Lusitânia, província romana que começava no Douro e ia até ao Algarve, alargando-se a Salamanca e Mérida.
Afonso, um galego afrancesado, depois da secessão do reino de Leão, conquistou as antigas terras da Lusitânia sem qualquer referendo, e os seus filhos continuaram a conquistar terras e só pararam em Timor. Do Mondego até Timor é tudo terra conquistada e colonizada. Isto é, Angola e Moçambique são como a Beira Baixa e o Alentejo…  Tá bem, não é bem igual, a Beira Baixa não tem praia.
Agora estamos só até à Madeira, mas isso não quer dizer que não termine tudo outra vez no Mondego, que a descolonização não foi completa. Lá diz o pessoal do FCP que abaixo do Mondego é tudo mouro. Uns referendos e tal e a coisa compõe-se.
Depois vem o 1640. Ó meus meninos, 1640 é a época em que a Catalunha de repente descobriu que já não queria ser espanhola porque queria ser francesa. Coisa de gente chic que nunca gostou do flamenco. Portugal, já era velhinho. 1640 foi só um golpe de estado em que se tirou um rei e colocou-se outro. Não houve restauração da independência porque esta nunca se perdeu. Havia um rei em Espanha, que era um Filipe com um número, e outro rei em Portugal que por acaso era o mesmo Filipe mas com um número a menos, em letra romana está bem de ver, porque foram os romanos que inventaram os lusitanos que agora se diz serem os antepassados dos portugueses e a gente que sabe que foram os godos, os francos, os mouros e os judeus que andaram pelas beiras, algarves, alentejos, e estremaduras, ri-se e finge que acredita. Os lusitanos ficaram todos em Viseu a fazer rotundas.
Saramago, o segundo nobel português e o oitavo espanhol (evoluíram mais depressa os espanhóis desde os Filipes), dizia que somos todos manos e isto tudo devia era chamar-se Ibéria, que curiosamente vem do nome do rio Iber, o actual Ebro que desagua na Catalunha. Ó diabo, onde é que isto vai dar! Deve ser por isso que agora querem o Ebro e o Tejo como irmãos.
O Saramago é que tinha razão. Juntava-se esta baiana toda. Madrid ficava com os museus, os churros, o chocolate quente e a Pilar del Rio. O poder executivo ia para Bruxelas (é a moda actual e já estamos habituados) que isto do governo quanto mais longe melhor, o legislativo ficava em Lisboa (a ver navios) e o judicial em Barcelona, com os mossos d’ esquadra e os juízes. A língua oficial ficava o inglês que é uma coisa que toda a gente sabe e assim ninguém se chateava. As outras línguas ibéricas ficavam só para as cantigas, porque não fica bem em inglês dizer: “Besame mucho” ou “A casa da mariquinhas tem na sala uma guitarra e janelas com tabuinhas”.
Como chefe de Estado escolhíamos a rainha Letízia, e mandávamos o Marcelo para o Brasil brincar com os netos, o Filipe para a Bélgica (eles têm sempre lugar para reis estrangeiros) e o Pui não sei quê para a Venezuela aprender castelhano e a fazer revoluções bolivarianas.
Só tinha de haver uma condição. Ficava proibido a qualquer governante ter nome de perfume. É que não fica nada bem!

imagem: mapa da península pintado por William Harvey (1868)

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

PORQUE ARDEU O PINHAL DE LEIRIA


Foto de Paulo Cunha/Lusa.
Acesso em 16 outubro de 2017.


A culpa dos incêndios dos últimos dias é, por minha convicção, não o posso provar, do ataque premeditado e coordenado que foi feito para a ignição dos fogos, com intuitos a que se pode, e deve, atribuir-se a natureza de terroristas. Já sobre o socorro ou a falta dele haverá por aí muito especialista de bancada que explicará o que sucedeu.
Quando visitamos um ministério somos barrados à porta. Pedem-nos a identificação e os nossos movimentos são vigiados. O pinhal de Leiria é património público, e possuía exemplares únicos e classificados de interesse público, como alguns dos mais altos eucaliptos de Portugal. Não me enganei, escrevi mesmo eucaliptos. Depois de um verão seco e quente, um outono tão quente e tão seco como o verão obrigava a cautelas que não se tomaram. Entre elas a de guardarem o pinhal como fazem aos edifícios ministeriais.
Este é um caso de polícia, ou da falta dela. Os culpados são os terroristas que lhe atearam o fogo e os responsáveis que não conseguiram prever que tal podia acontecer, quando tinham a obrigação de o prever.
Não se vá dizer agora que a culpa do incêndio do pinhal de Leiria é dos eucaliptos que lá estavam. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O QUE HÁ PARA COMEMORAR A 5 DE OUTUBRO?


Como crente que sou, só Deus e a vida são sagrados. Ideias como nação, pátria, república, monarquia, não têm para mim nada de sagrado. São formas de organização que se querem necessariamente mutáveis conforme os interesses das comunidades que servem. Por isso abomino o nacionalismo, que não resiste ao mais elementar estudo da história ou da genética, ou vénias a republicanos ou monárquicos.
Simpatizante de um regime monárquico vivo muito bem neste regime republicano que considero, atualmente, ser o que melhor serve os interesses da comunidade que habita Portugal. A causa monárquica está cheia de gente a cheirar a naftalina dos baús, pingando anéis brasonados dos dedos e ansiosa pela espinha curvada às vénias. Não é o que ambiciono para o país onde vivo. No entanto, não comemoro o 5 de outubro de 1910 porque não há nele nada que mereça ser comemorado. Nem sequer a implantação de uma república que não se conseguiu implantar, apesar do nome. A 5 de outubro apeou-se um rei e alçou-se um presidente. A res pública passou assim para as mãos das oligarquias económicas ou políticas, com um fantoche a acenar ao povo. Dispensou-se o que em futebol denominamos de árbitro. Foi preciso esperar por Abril de 1974 para que nos meses que se seguiram se conseguisse, efetivamente, implantar um regime verdadeiramente republicano.
A 5 de outubro de 1910 houve em Lisboa um golpe de estado. Alguns gostam de lhe chamar revolução mas o termo escapa ao que efetivamente aconteceu:
Em agosto do mesmo ano de 1910 houve em Portugal eleições legislativas legítimas e democráticas, onde 600 000 eleitores, dos 695 471 inscritos, portanto uma participação de 86.27%, votaram contra os republicanos que obtiveram somente 9% dos votos. A queda da monarquia em Outubro não permitiu que o parlamento legítimo tomasse posse. Em 1911 fizeram-se eleições somente nos círculos eleitorais de Lisboa e em 1915 havia inscritos somente 397 038 eleitores, muito abaixo do universo eleitoral das últimas eleições legislativas do regime monárquico. Eleições legislativas legítimas e democráticas só voltaram a haver em 1976. Houve, portanto, e do ponto de vista etimológico, muito mais república no regime monárquico do que nos 66 anos que se seguiram à implantação dita da república. O que se seguiu foram golpes e contragolpes durante 15 anos e meio que resultaram numa ditadura de 48 anos.
Não há nada para comemorar a propósito do 5 de outubro de 1910.

imagem: "O Peso da História" de Pedro Valdez Cardoso

domingo, 17 de setembro de 2017

A JUSTEZA DAS GREVES É UMA QUESTÃO DE COR?



No início da minha vida profissional (foi há tantos anos!) fui trabalhar para uma autarquia de maioria comunista. Gente fantástica e amiga. Fui recebido de braços abertos e lá aprendi imenso. Aprendi o sofrimento de um povo que não tinha tido o direito à terra e onde pouco mais era que escravo dos grandes donos da mesma. A autarquia tomou a si a grande tarefa de dinamização social e cultural. Deu trabalho a muita gente e assumiu como pública as tarefas antes reservadas ao privado. E tinha sucesso, reconhecido à direita e à esquerda, no entanto… Um dia apareceu por lá o sindicato ligado à CGTP. Os trabalhadores andavam descontentes porque a autarquia não os colocava no quadro e assim, ganhavam menos que os trabalhadores rurais da Reforma Agrária. Os sindicalistas aconselharam que era preciso paciência pois a Câmara trabalhava para o bem comum e todos tinham que participar no sacrifício. Eram tempos de crise.
Por razões da vida, e porque também não estava no quadro (era política daquela autarquia não colocar ninguém no quadro) vim trabalhar para a autarquia onde ainda me encontro e onde espero terminar os anos da minha vida profissional. Como lá, fui aqui recebido de braços abertos e de braços abertos continuam a acolher-me. Sofrem e riem comigo, não podia pedir mais. A política, essa, caminhou da Aliança Democrática ao PS e deste para o PSD. Os bens da terra, sempre mal distribuídos, eram, no entanto, um pouco mais equitativos. Não houve necessidade de avermelhar a luta. Vim encontrar a mesma vontade de assumir um compromisso sério com as populações, mas os trabalhadores estavam no quadro. Na altura, como agora, os tempos continuavam de crise e havia, como há sempre, descontentes. O mesmo sindicato apareceu, e os sindicalistas eram os mesmos que tinham aparecido a aconselhar paciência aos trabalhadores. Esperei pelo conselho e qual não foi a minha surpresa quando disseram que era preciso exigir à autarquia que cumprisse com as justas reivindicações dos trabalhadores. De nada valeu interpela-los para a incongruência.
Veio-me à memória este episódio por causa da greve dos enfermeiros e como certa Esquerda tem denegrido a mesma, só porque a bastonária pertence ao partido "errado"!
Não é preciso muito para chegarmos à “democracia” do partido único, mas isso chama-se, como no tempo de Salazar, ditadura!
(imagem daqui:http://www.military.com/daily-news/2015/07/27/with-a-warning-to-us-north-korea-marks-end-of-korean-war.html) 

sábado, 26 de agosto de 2017

VIVA A DIFERENÇA DE GÉNERO


Ontem, quando passeava pelo parque das Caldas, reparei numa jovem que envergava uma t-shirt onde se lia, em inglês, que a roupa não tinha género. Aparentemente, uma t-shirt, de facto, não tem género, mas este tipo de afirmação esconde uma ideia fascizante de que o Homem e a Mulher devem desaparecer para dar lugar a um ser sem género. Como sou adepto da diversidade esta ideia de acabar com a diferenciação de género soa-me tremendamente fascizante e desumana. O ser humano é homem e mulher, e é na sua diferença que está o segredo da nossa riqueza que assenta na diversidade. Viva a diferença de género, com ou sem t-shirt.
A diferença entre Homem e Mulher assenta, no entanto, na única função exclusiva a um género: a mulher pode gerar filhos e alimentá-los, o Homem não. Por isso os seus corpos são diferentes e o Homem só é preciso para lá ir pôr a semente no ventre fértil da Mulher. Ao Homem sobra-lhe, portanto, tempo, luxo que as mulheres não têm. O Homem precisou de desenvolver as competências que nas mulheres são inatas: isto é, todas, menos a de gerar filhos.
Dizia um tonto na blogosfera, sarcasticamente, que queria ver as mulheres experimentarem determinadas profissões de homens rijos e duros. Depois dava, entre outros exemplos estapafúrdios, o de mineira e ferreira. Eu morreria à fome se, para sobreviver, tivesse de entrar numa mina. Não tiveram escolha as desgraçadas mulheres descritas por Zola, que no século XIX, ainda meninas e sem “ordem” para ter filhos, eram enterradas nas minas do Norte de França para extrair o carvão que enriquecia os burgueses que guardavam as filhas em casa por serem frágeis.
Frágeis são os homens da minha terra que caminham de chapéu de sol no braço à frente da mulher que, com o filho nas costas, carrega à cabeça a trouxa da viagem.
Na iluminura de uma Bíblia inglesa do início do século XIV, os monges não tiveram qualquer rebuço em lá pintar uma mulher a trabalhar na forja para fabricar os pregos que iriam ajudar a calçar os pés das bestas, porque o marido, coitado, se ferira num braço (se a mulher se ferisse o homem trataria de arranjar outra). No século XVIII, no país de Gales, Marged Ferch Ifan, uma mulher enorme (não são todas?), era a mais famosa ferreira do condado. Com a bonita idade de 70 anos, ainda lutava com qualquer homem que a desafiasse. Com dois sopapos dados a tempo convenceu o marido a largar o álcool para sempre. Para além da forja, era uma exímia sapateira, carpinteira, caçadora, remadora, e mantinha uma taberna junto às minas de cobre. Para mostrar que era fêmea sensível e não bruta como um macho, entretinha os mineiros bêbados tangendo, com as manápulas enormes de ferreira, as cordas da harpa que ela mesma construíra.
Por ser a favor da diferenciação de género, achei muito bem que a Porto Editora tivesse feito cadernos separados para rapazes e raparigas, mas foi tremendamente injusto que tivesse colocado os exercícios mais difíceis no caderno dos rapazes… pobres rapazes!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

15 DE AGOSTO - PARA QUE SERVE UM DOGMA?


Ao ler-se o que por aí se vai escrevendo sobre o feriado de hoje, corre-se o perigo de ficar com a ideia que foi o papa Pio XII quem institui a festa e Salazar correu atrás a torna-la dia feriado. Ora Pio XII tornou a história da Assunção de Nossa Senhora (subida aos céus em corpo e alma) como dogma da igreja católica, isto é, os católicos estão obrigados a acreditar nesse mistério, mas a festa desta crença existe desde os primeiros tempos da Igreja. Os ortodoxos, que não estão obrigados aos decretos do Papa, também a celebram, chamando-lhe a dormição de Nossa Senhora, porque, de acordo com os relatos mais antigos dos apóstolos Nossa Senhora teve uma morte serena e sem dor.
A história da pintura europeia está cheia de Assunções de Nossa Senhora, o que demonstra bem que esta festa é mais antiga do que o Dogma e os decretos de Salazar. Já no século IV o bispo de Salamina de Chipre, Santo Epifânio, perante o facto de não se encontrar Maria sepultada, admitia a sua Assunção, confirmando o que, séculos antes, Santo Irineu (século II) admitia com base nos relatos apócrifos dos apóstolos.
Mas é São Gregório de Tours, no século VI, a proclamar a Assunção em corpo de Maria e Carlos Magno, no século IX, obteve a autorização do Papa para instituir a sua Festa.
Quiseram assim os primeiros cristãos elevar Maria à mesma dignidade de Jesus, fazendo-a elevada aos Céus em corpo e alma rodeada de um coro de anjos cantando a sua Glória, como pintou El Greco e tantos outros. Em Santa Maria em Trastevere, a mais bela igreja de Roma, lá está, nos belos mosaicos da abside, Maria, não só à direita do Filho, mas sentada com Ele no mesmo trono.
Esqueçam, portanto, o Salazar e a infalibilidade papal e divirtam-se. Maria subiu aos Céus e nós temos a Esperança de o fazer. Não precisamos de dogmas para estragar a Festa, mas a liberdade de um feriado para a fazer.
Imagem: abside da basílica de Sta Maria in Trastevere, Roma 2015

sábado, 29 de julho de 2017

GASTRONOMIA BÍBLICA 3 - PARREIRINHAS À NOÉ



 Génesis 9, 3: “Tudo o que se move e tem vida servir-vos-á de alimento; dou-vos tudo isso como já vos tinha dado as plantas verdes.”
Génesis 9, 20: “Noé, que era agricultor, foi o primeiro a plantar a vinha.”
Depois de Caim ter morto Abel as coisas não correram muito bem para a humanidade que se começou a portar muito mal (onde é que eu já ouvi isto?). O bom Deus, deprimidíssimo, decidiu afogar aquilo tudo e mandou que se abrissem as torneiras do céu. Isto do Dilúvio é uma história da treta, etc, e tal, dizem pr’ái uns entendidos. A lenda é assíria e suméria, que nos fala do Gilgamesh, como nós falamos do Noé. O certo é que até os gregos e os romanos têm uma história do dilúvio, mas em vez de uma família dentro de um barco puseram dois homens com os ossos de suas mães. Só mesmo os gregos, tá bom de ver. Chamavam-se Decalião e Pirra e quando foi preciso povoar a Terra, atiraram com os ossos das mães para trás das costas e assim a modos que uma clonagem, nasceram homens e mulheres. Se os gregos corroboram esta catástrofe planetária com  patetices (dois homens num barco, onde é que já se viu) já os Maias, do outro lado do mundo, falavam muito seriamente de um dilúvio universal. Certo, certo é que os cientistas dizem que sim senhor, pelo menos no Crescente Fértil, a coisa aconteceu.
Quando Noé e a família saíram da arca, estava tudo destruído e naquele ano não houve colheitas. Não teve outro remédio o Senhor Deus senão a autorizá-los a comer carne, mas sem o sangue! E pronto, foi o fim dessa chatice de vegans e outros aborrecimentos.
Não vos trago uma receita de carne, ainda, pois o estômago delicado de Noé suportava mal aquela novidade. Farto de tanta água, o patriarca não se lembrou de outra coisa que não fosse pôr-se a plantar uma vinha. Dizem as más línguas que a cultura dos cereais não se deu para fazer pão, mas cerveja, embora os lusitanos a fizessem das bolotas. Noé, que era agora um cavalheiro, inventou o vinho e apanhou uma carraspana que teve consequências que chegaram a explicar o apartheid na África do Sul, mas isso são outras histórias.
Ora a mulher de Noé (não lhe sabemos o nome que naquele tempo ainda não havia igualdade de género) era muito poupadinha e enquanto o marido se embebedava talvez se tenha lembrado de aproveitar as folhas das videiras para criar um prato famosos em todo o Médio Oriente. A receita que vos trago é da Arménia, em cujas encostas nasceu a primeira vinha da história porque foi ali que encalhou a barca, e quem sabe se a receita não é desde os tempos da famosa arca.
Este prato chama-se dolmades e costumam pôr arroz, que talvez tenha substituído a cevada, pois seria o mais adequado nos tempos de Noé em que ainda não havia essas chinesices. Também podem acrescentar carne picada que agora já é permitido. No recheio ou à parte.
Antes de sulfatar, colha algumas folhas de videira e reserve (também pode comprar de conserva). Frite, sem queimar, bastante cebola, depois junte a cevada a dourar ligeiramente, a seguir salsa picada, endro picado, hortelã picada, passas, paprika, especiarias e pinhões. Misture bem e deixe cozinhar um pouco acrescentando uma pinga de água. Se usar arroz não é preciso cozinhar que ele irá cozer depois. Cubra um tacho com folhas de videira picadas para evitar que os dolmades queimem. Esquente um pouco as folhas de videira. Eu aconselho mesmo a cozê-las um pouco num tacho com água, pois são muito duras. Coloque uma folha de videira com a parte áspera para cima e o pé virado para si. Coloque uma colher da mistura junto ao pé e comece a enrolar os dolmades, começando por enrolar o pé sobre a mistura, depois as laterais para dentro e só depois enrola o resto, para que fiquem bem presos. Repita para as restantes folhas e coloque-as no tacho com a última dobra para baixo. Coloque um prato por cima para que os dolmades não fiquem a boiar. Acrescente sumo de limão e água até atingir a borda do prato. Cozinhe em lume brando durante hora a hora e meia (as folhas são muito duras como disse). Deixe esfriar no tacho sem lhe retirar o prato. Pode servir com quartos de limão, ou com um molho grego de ovos e limão em honra dos dois rapazes que ficaram sozinhos num barco, e que é muito parecido com o nosso molho para um fricassé, ou com molho de iogurte ou natas.
Desçam à adega a chamar o Noé para que a “touriga nacional” não lhe caia na fraqueza.