É um
facto, que escapa a qualquer consideração ética, que as nações vitoriosas de
uma guerra executam o saque das nações derrotadas. No fim da segunda guerra não
foi diferente, por isso, os EUA, logo após o fim da guerra, deram início ao saque
a que chamariam: Operation Paperclip.
Consistiu a operação em levar para o território americano todos os cientistas
alemães que eram alguém no mundo da ciência e da técnica, e foram muitos.
Centenas, senão milhares. Questões de ordem moral como a participação no terror
nazi foram torneadas, esquecidas, apagadas. O que interessava era o saque do
saber alemão. O resultado é conhecido: a supremacia na corrida espacial e no
armamento, tornando a América numa potência mundial do pós guerra.
Quando
Estaline se deu conta do saque americano, apesar da entrada triunfante das
tropas russas em Berlim, espumou de raiva. Distraído a saquear para a União
Soviética o equipamento da forte indústria alemã que depois havia de apodrecer
por falta de inteligência que a fizesse funcionar, só então percebeu que o
verdadeiro ouro das nações é o saber que se esconde nas pessoas.
Portugal
viveu momentos semelhantes na sua história: A expulsão dos judeus no reinado de
D. Manuel foi um desses momentos. Basta pensar como Espinosa poderia ter
nascido português. A expulsão dos jesuítas que foram brilhar nas universidades
europeias foi outro momento onde a luta pelo poder se sobrepôs aos interesses
da nação, mas o momento simbólico da morte da pátria deu-se quando a elite do
país ficou para sempre nos campos do Norte de África.
Porque
não temos governo mas um bando de meninos
a quem os pais vestiram casaco como para um casamento ou baptizado, como
diz António Lobo Antunes, não houve política capaz de impedir que a geração mais bem preparada se exilasse,
agora a bordo das aeronaves lowcost. O trágico é que houve governantes que
pensaram que isso era bom porque o nosso nome ficaria bem visto lá fora e
aprenderíamos a sair da nossa zona de conforto. Seria bom se partissem para
regressar com novos saberes com o país a recebê-los de braços abertos. Não foi
e não será o caso.
Mais
trágico é haver quem contraponha com os emigrantes reformados ricos que para cá
vêm gastar o dinheiro, que nós, transformados em estalajadeiros, recebemos de
mão estendida, enquanto nos seus países se fabrica prosperidade à custa do
nosso saber.
A
nossa tragédia tem já um guião que nem a lista de vinhos com que se parece o
governo, nas palavras irónicas de Lobo Antunes (Aguiar Branco, Poiares
Maduro…), impediram que se parecesse com um trabalho de estudante do programa
Erasmo, onde a única ciência visível terá sido o hábil uso do programa Word,
fazendo-o parecer maior do que é.
Nenhuma
reforma do estado terá sucesso se não for capaz de conseguir estancar a
hemorragia e fazer retornar à pátria o ouro da nação.
