Talvez não erre se disser
que até ao aparecimento da besta, ou balestra, a guerra fazia-se à custa da
força, perícia e destreza dos soldados que nela participavam.
Vem isto a propósito por
estar a escrever no dia em que se comemora mais um aniversário do lançamento da
bomba atómica sobre Nagasaki. Os que defendem que o uso das bombas atómicas no
Japão evitou maior número de mortos, argumentam que os japoneses jamais se
renderiam em caso de uma invasão terrestre. Os que argumentam em sentido
contrário dizem, e entre eles nomes sonantes do aparelho militar americano como
Eisenhower, que o Japão estava derrotado e render-se-ia se lhe dessem a
oportunidade de salvar a face. Os termos em que foi escrito o ultimato de
Potsdam indicava a incondicionalidade da rendição, excluindo, portanto, o
Imperador. Depois das bombas a rendição deu-se condicionada à manutenção do
Imperador, o que reforça o argumento dos que vêm na inépcia do texto de Potsdam
a causa da não rendição do Japão, tornando desnecessária, inútil e cruel, o
lançamento das bombas.
Há que referir, no
entanto, uma questão que nunca é lembrada nestas ocasiões e que poucos
conhecem, e que é referida como argumento a favor do lançamento sobre Hiroxima
e Nagasaki: o bombardeamento “convencional” de Tóquio meses antes das bombas
atómicas, e cujos danos materiais e humanos foram superiores ao das bombas
atómicas. Então porque razão as bombas atómicas nos deixam com um repúdio
generalizado?
Voltando às bestas,
saiba-se que a Igreja, logo no século XII, proibiu o seu uso em guerras entre
exércitos cristãos, ordem que, à semelhança da pílula e do preservativo, foi
alegremente desobedecida e ignorada por todos. Que se matassem uns aos outros,
tudo bem, mas sem aquela arma terrífica, queria a Igreja. E porque era terrífica?
Julgo que o problema é o mesmo do das bombas atómicas. A sua grande eficiência.
Uma grande eficácia com poucos recursos. O combate feito à custa da força dos
soldados parece legitimo. Feito à custa de recursos além da força muscular
parece coisa do demónio. Se o argumento valia para o uso das bestas, para o
confronto entre bombas atómicas e bombas incendiárias não vale. É só uma questão
de custos financeiros.
Em todo o caso, julgo que
o vaticínio de Einstein se cumprirá e a força física vingará: a 4ª guerra
mundial será feita com pedras e paus!
O que pensarão os mortos?
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