sábado, 25 de junho de 2016

A MINHA GLICÍNIA FLORIU DUAS VEZES


Estou triste.
Não gosto de ver desunião na família. Quem conhece a história da Europa sabe que os seus povos pertencem todos à mesma família. Os minhotos descendem dos suevos que se passeavam pelos pântanos de Berlim, e os ingleses são tão alemães ou tão dinamarqueses como eram os saxões e os normandos. Por muito boas razões de queixa que tivessem, o seu voto negativo deve-se à xenofobia e ao chauvinismo. Não foi the Great Britain quem ganhou, mas the Little Britain. Sair da Europa é uma arma que se tem, mas não se usa. Passa-se às gerações mais novas como uma jóia de família. Ficar não influenciava muito as gerações mais velhas, sair prejudicou as gerações mais novas que queriam ficar. Uma atitude, para mim, incompreensível.
Por alguma razão que desconheço a minha glicínia floriu de novo, pela segunda vez este ano. Espero que seja um bom presságio. Pelo menos convence-me cada vez mais a seguir Cândido de Voltaire, eu que tanto tenho de Pangloss, acreditando ser este o melhor dos mundos possíveis. Vou dedicar-me ao meu jardim. Porque, cela est bien dit, mais il faut cultiver notre jardin, diz Cândido.
Quando a minha neta nascer poderá comer dos seus frutos. Assim que o outono chegar e ela nascer, plantarei uma romãzeira com o seu nome! Uma romãzeira da Pérsia!

5 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigado Lolita. Espero ter couves para o bacalhau do Natal.

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  2. O cultivo da horta é uma disciplina para a paciência.

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  3. Não esteja triste João, afinal a glicínia floriu duas vezes e no outono vai plantar uma das mais especiais romãzeiras.
    Não fiquei triste, fiquei apreensiva não tanto pela saída, mas sim pelas razões dela.

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    1. Havemos de comer as romãs cheios de alegria, Manuela.

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