domingo, 19 de agosto de 2012

EXTRADIÇÕES E FUZILAMENTOS


Vem tarde esta minha crónica. Não que seja por falta de assunto, que os há de sobra, mas por falta de tempo: fui ver o verão!
               Descansem os benévolos leitores destas crónicas blogueiras que não vou falar das Pussy Riots apesar de estar contra a sua condenação. Afinal o seu maior crime foi contra a estética, contra a música, contra as artes em geral, mas enfim, falaram contra um ditador e este não gostou que falassem mal dele. Quem gosta?
               Também não vou falar das touradas de Viana, embora ache que a decisão camarária merecesse logo de início umas boas estocadas dadas por quem de direito, isto é, pelo parlamento, terminando, como manda a regra, com uma pega de caras. Seria bonito se as Câmaras do país começassem a decidir quais os eventos, a seu gosto e conforme a moral e os bons costumes, a permitir nos seus limites. É que as Câmaras, neste particular, mandam tanto com as Mães de Bragança. Mas adiante que se faz tarde.
               Vou falar-vos do caso Vale e Azevedo e das greves dos mineiros sul-africanos. Começando pelo primeiro, necessário se torna começar por Assange, Julian Assange. É conveniente declarar que não simpatizo com a criatura, mas simpatizo menos com pruridos governamentais em matéria de sexo. Parece que querem extraditar o australiano para a Suécia, por este ter dormido com duas suecas que agora dizem não terem gostado.
               Sim, eu sei que os casos de violação não são para serem levados com esta ligeireza e as vítimas merecem todo o nosso respeito. Mas aconselho os leitores a darem uma vista de olhos aos motivos porque os suecos, e as suecas, consideram ter havido assalto e violação. Dispenso-me de os contar aqui, que isto é um blog, por enquanto, sério e decente e eu não quero saber o que se passa dentro dos lençóis onde dormem caçadores de crocodilos e valquírias. Ficam somente com a certeza que alguém vindo de outro planeta julgaria que a Suécia vive sobre a mais rigorosa Sharia.
Querem extraditar o agressivo predador sexual. Nada tem a ver com a questão das fugas informáticas, dizem e nós acreditamos. É tudo por uma questão de moral e bons costumes. Para isso, pasmem, estão dispostos a invadir uma embaixada e a violar as mais elementares regras diplomáticas. Onde se passa isto? No Burundi? No Burkina Faso? No Irão?... Passa-se na democrática Inglaterra que tanto preza o fair-play e ensinou as regras diplomáticas ao mundo.
O precedente não põe em risco, de ora em diante, todas as embaixadas espalhadas pelo mundo? Põe, mas não importa! Faz-se justiça. Aconselho desde já a ministra da Justiça de Portugal a arranjar uma queixinha de cariz sexual contra o Sr. Vale e Azevedo. Pode ser que assim a orgulhosa Inglaterra se lembre de o extraditar.
Na África do Sul a greve dos mineiros provocou mortes. As greves dos mineiros sul-africanos caracterizaram-se muitas vezes pela violência que arrastava atrás de si. Desde os anos vinte do século passado, quando a cidade de Joanesburgo foi bombardeada como se o país estivesse em guerra, que as mortes sublinham a desgraça de uns e a fortuna de outros. Era o racismo, o apartheid, o colonialismo… agora o partido comunista sul-africano pôs-se ao lado das forças policiais… os mortos pertenciam ao sindicato errado!
Estavam armados, disseram. Pode ser que sim, mas o que vimos não foi a defesa contra um ataque. O que vimos foi um fuzilamento.
O bem-estar econômico de um País não se mede exclusivamente pela quantidade de bens produzidos, mas também levando em conta o modo como são produzidos e o grau de equidade na distribuição das rendas.
              
Não foi Marx quem disse isto, mas a doutrina social da Igreja. E aqueles mineiros afinal pediam equidade na distribuição de um bem que julgaram pertencer ao povo com o fim do apartheid. Deram-lhes balas!

5 comentários:

  1. Boa João, gostei só tenho pena que alguns senhores não conheção o teu blog para os ajudar a pençar.

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    1. Obrigado pela força. E chover um pouco no molhado, eu sei...

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  2. Não conhecia este lado humorístico do "ti" João. É de continuar, pois já basta o fim da loiça das caldas (a mais burlesca)... não acabou? Mas já não se vê... mirrou com a crise.

    Força João, o povo está contigo!!!

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    1. A loiça das caldas faz tanta falta, amigo anónimo...

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  3. Recoheço que estou cansada de tanta má noticia na TV por isso fujo dela, das más noticias mas vi o massacre e não percebi porquê mas ainda bem que este blog existe para assim poder chamar atenção ás pessoas mais adormecidas(eu), que temos de reclamar quando vemos coisas tão feias obrigada por escreveres tão bem

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